Onde
está o Peixe?
Por
Ricardo Padovan
Afinal,
onde está o peixe?
À beira
de um lago é comum observar pescadores que estão em margens opostas arremessarem
um contra a margem do outro.
Em
represa a coisa é mais ou menos assim: quem está no barranco arremessa no meio e
quem está embarcado, próximo ao barranco.
Mas na
verdade o fato mais intrigante é: Pescadores da mesma represa, hospedados em
pousadas distintas, distantes um do outro, navegam por longo período em direções
contrárias para iniciar a pescaria. Por quê? Não seria mais econômico cada um
pescar próximo ao local de sua hospedagem?
Essa
questão nos levou a Serra da Mesa, considerada atualmente a mais piscosa e bela
represa do nosso país
O local
escolhido como base foi a Pousada do Germano, famosa pelo atendimento classe "A"
e pelo trabalho de seu proprietário Ediley Vital da Costa, um verdadeiro
guerreiro pela preservação ambiental e das espécies do lago.
Chegamos
no local no dia 10 de outubro à 1 da madrugada. Depois de um breve papo nos
recolhemos para curto repouso. Às 7 horas descemos para o café e traçamos nossa
estratégia de trabalho. A idéia era deixar todos os barcos saírem para a
pescaria, dessa forma a grota da represa onde fica a pousada estaria livre para
ser explorada.
Descemos
os caiaques e começamos nossa jornada, atravessamos o canal principal que mede
aproximadamente 300 metros e, logo no primeiro arremesso, um pequeno tucunaré
azul atacou a isca, em seguida outro em torno de 1 quilo também foi
fisgado.
Pela
recepção percebemos que fizemos a escolha correta. Essa parte da grota é formada
pelo rio Traíras e composta de grotas menores com estruturas de pedras vegetação
e galhadas.
No
fundo de grotas menores encontramos pequenas quedas d'água com pedras e
vegetação. Nesses pontos os tucunarés amarelos estavam bem ativos e realizavam
ataques fulminantes em nossas iscas.
Os
apaiaris (Oscar), fazem a festa dos que gostam de pescar com equipamento leve,
estão por toda grota, basta procurar por vegetações às margens da represa que os
ataques são garantidos.
Subimos
o rio Traíras por aproximadamente 4 quilômetros. Esse trecho é formado por
pequenos remansos com pedra e muita vegetação, encontramos tucunarés das duas
espécies, amarelo e azul.
No
final da tarde é possível escutar o ronco das corvinas nos locais mais
profundos, uma pescaria para passar o tempo batendo papo com os
companheiros.
Ao atravessar a grota para o lado da pousada era comum ver
peixes estourando na superfície, não conseguimos identificar de qual espécie.
Mais tarde, na pousada, o guia Eribert nos informou que se tratavam de
matrinxãs.
Às 15
horas depois de muitos ataques, peixes fotografados e outros mais tímidos que
não gostavam de câmeras fotográficas, resolvemos retornar à pousada. Para
finalizar montei 2 varas no suporte do caiaque e passei brincar de corrico,
nunca acreditei nesse tipo de pesca em lagos e fui surpreendido com dois
ataques. O primeiro nem deu tempo de fisgar. O segundo me rendeu um belo
tucunaré azul. Pela quantidade de linha solta parecia um gigante, tamanha a
força empregada para embarcá-lo. Após fotografá-lo retornamos à pousada para um
lanche.
Essa
primeira saída nos responde a questão. Em se tratando de Serra da Mesa,
percebemos que o peixe se encontra em toda represa, talvez maiores em alguns
cantos e menores em outros.
Ao
disponibilizar caiaques para os hospedes, o pessoal da Pousada Germano está nos
dando uma opção de pesca barata divertida e produtiva.
Esse
resultado nos levou a um tira teima entre barco e caiaque. Mas isso é assunto
para outra matéria.