Salvando
A Pescaria
Pequenos
guerreiros
Por:
Adriano Prilip
Às vezes
percorremos grandes distâncias em busca de um bom local de pesca, melhor ainda
se este for preservado onde possamos contemplar a natureza e animais silvestres.
Em nossas andanças buscamos não só o peixe, mas a harmonia de imagens que
levaremos para sempre em nossas lembranças.
Em
algum ponto bem próximo à grande cidade a natureza impera. Proprietários
conscientes e cansados do visual das grandes metrópoles preservam a natureza e
fazem de suas terras verdadeiros santuários. Tivemos o privilégio de sermos
convidados a conhecer um desses locais.
Situada
a 70 km da capital fica a cidade de Santa Isabel. Suas matas, montanhas,
fazendas e a represa ao redor compõem um cenário a ser apreciado e protegido.
Nessa região fica a propriedade do senhor Jonas, um lugar simplesmente
maravilhoso. Já na entrada podemos perceber o capricho e o carinho que com que
os proprietários, Jonas e Raquel, cuidam da propriedade. Belos coqueiros,
árvores nativas e frutíferas, o local abriga uma variedade de animais e aves
silvestres como: Capivaras, preguiças, gaviões, tucanos, patos selvagens, entre
outros.
Além
disso tudo, a propriedade tem um lindo lago que é formado por duas cachoeiras.
Com aproximadamente 3 alqueires é reduto de grandes traíras, bagres, lambaris,
jacundás, tilápias, corvinas,
carás, bass, como diz, brincando, Sergio
Marchioni (100), integrante do Barracuda Team: “... é um verdadeiro inferno,
pois é difícil conceber tantas variedades predadoras juntas.”
Apesar
de a água estar avermelhada pelas chuvas dos dias anteriores e da garoa que
teimava em cair, resolvemos colocar os caiaques na água e tentar algum
peixinho.
O
período da manhã serviu apenas para contemplar a beleza do local e curtir
remadas lentas e preguiçosas, o peixe parecia estar em estado de hibernação,
iscas das mais várias formas e cores foram oferecidas, às vezes éramos
surpreendidos por flashes prateados que teimavam em seguir as iscas sem atacar,
ou erravam os ataques.
Por
volta das 10 horas o vento e a garoa deram uma trégua, parte de nossa equipe
optou em tentar os lambaris com moscas, a escolha deu resultados e logo
apareceram o primeiros exemplares.
A pesca desse pequeno peixe nessa
modalidade é uma festa, os ataques na superfície fascinam tanto quem pesca como
quem presencia a pescaria.
Fizemos
uma breve parada para um churrasco. Por volta das 14 horas retornamos ao lago
para novas tentativas. A ideia fixa de capturar uma grande traíra se arrastou
por um longo período, os flashes em volta das isca se repetiam com frequência, a
coloração da água e a rapidez dos ataques dificultava a identificação do
peixe.
Danilo e
Ricardo Padovan resolveram diminuir o tamanho das iscas, trabalho lento com a
isca quase parada foi a combinação perfeita, e logo pudemos ver do que se
tratavam os flashes. Saicangas de grande porte começaram a aparecer, ficamos
impressionados com o tamanho dos exemplares capturados, o que não é muito comum
nessa região.
A tarde
caiu rápido e começou a escurecer, enquanto íamos guardando nosso material,
concluímos que as saicangas salvaram nossa pescaria e o que isso só foi possível
graças a dedicação dos proprietários em preservar aquele
ambiente.