VOCÊ SABIA QUE ELE COZINHAVA, MAS QUE PESCAVA...
 

Por: Adriano Prilip e Salgado Filho


       Ele faz parte do mundo da culinária, Chef respeitado dentro e fora do Brasil está entre os melhores do mundo, um verdadeiro mago da culinária.
 
       Dono de um dos restaurantes que encabeça a lista mundial dos melhores o D.O.M. até para quem não sabe o verdadeiro significado da sigla imagina que venha a ser pelo DOM que ele tem ao criar um prato, dar seu toque especial e transformá-lo em algo divino e desejado por todos. (A sigla D.O.M. vem do latim e significa: Deus é ótimo e Maximo – Ótimo na sabedoria e máximo na bondade).
 
       Mas, por incrível que pareça o que quase ninguém sabe, é que ele, além de ser um mestre na cozinha também é um grande pescador. Isso mesmo, pesca com a modalidade flyfishing (pesca com mosca) sua preferida, mas também pesca de bait casting (pesca de arremesso com molinetes e carretilhas), esta, mais raramente somente quando quer ver o Tucunaré explodir na superfície atacando um Popper.
 
       Tivemos a honra não só de fazer uma entrevista em primeira mão falando da pesca com ele, mas principalmente de tê-lo como nosso parceiro e nada mais nada menos assinando a seção de culinária do BARRACUDA TEAM.
 
       Abaixo um pouco mais a respeito deste grande Chef e pessoa.
 
       Com vocês, ALEX ATALA.

 

       Milad Alexandre Mack Atala, mais conhecido como Alex Atala, é um Chef de cozinha brasileiro, eleito Chef do ano pelo guia 4 Rodas 2006, cujo restaurante D.O.M figura entre os melhores do mundo, segundo a prestigiada revista "Restaurant".
 
       Filho de Milad Atala, funcionário administrativo de uma indústria de borracha, Alex nasceu em uma família de classe média de origem palestina, no bairro da Mooca, e foi criado em São Bernardo do Campo.
 
       Dotado de um temperamento "Determinado, teimoso até", como definiu o seu pai, ele aderiu ao estilo punk rock. Com quatorze anos, largou a família e foi para São Paulo, onde trabalhou como DJ no lendário clube Rose Bom Bom.
 
       Com dezoito anos, Atala foi como mochileiro para a Europa, onde começou a trabalhar como pintor de paredes na Bélgica. Por sugestão de um amigo fez um curso Profissionalizante de gastronomia e, após sua conclusão, trabalhou em restaurantes na Bélgica, na França e na Itália, onde aperfeiçoou seus conhecimentos da arte culinária.
 
       Assim aprendeu Inglês, Frances e Italiano.
 
       Retornando a São Paulo, trabalhou no Sushi Pasta, porém o sucesso veio quando foi chamado para renovar o cardápio do já extinto Restaurante Filomena, trabalho pelo qual foi eleito Melhor Jovem Chef, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes Diferenciados.
 
       Lá criou o couvert de alho assado e outros grandes pratos, como manga grelhada com pimenta branca e molho de maracujá.

 
 

       Atala também trabalhou no restaurante 72 antes de inaugurar o Namesa em 1999, que ainda serve comidas rápidas na região dos Jardins.
 
       Poucos meses depois, abriu com mais dois sócios o restaurante D.O.M., com o projeto arquitetônico de Ruy Ohtake, que se tornou sucesso de público e crítica, recebendo diversos prêmios: em 1999, Chefe revelação e Melhor restaurante pela revista Gula, especializada em gastronomia.
 
       Em 2000, Melhor Chef e melhor restaurante contemporâneo pela Gula, e melhor restaurante contemporâneo pela revista Veja.
 
       Em 2002, Melhor Chef e melhor restaurante contemporâneo pela Veja, e melhor restaurante contemporâneo pela Gula.
 
       Em 2006, o D.O.M. recebeu a classificação máxima do Guia Quatro Rodas, além de ser eleito o Chef do ano pelo mesmo guia e pela revista Veja São Paulo.
 
       Em 2007, o D.O.M. passou a figurar na lista dos 50 melhores restaurantes do mundo pela revista londrina Restaurant, a qual tem no topo da lista a Ferran Adrià, amigo pessoal de Atala, Adrià é um Chef catalão considerado o Papa da culinária de desconstrução e o mais influente Chef do mundo, do restaurante de comida contemporânea El Bulli.
 
       Alex é conhecido defensor da culinária regional, como retratado em seu livro "Por uma Gastronomia Brasileira", colocando a culinária amazônica, especificamente a Paraense, como base de alguns de seus melhores pratos.
 
       O reconhecimento pelo grande público, veio do seu programa Mesa para Dois, no canal GNT da rede Globosat, que apresentava com a Chef carioca Flávia Quaresma, do restaurante francês Caremê.
 
       Livros Publicados:
 
       "Por Uma Gastronomia Brasileira" - Alex Atala – Editora Bei, 2003
 
       "Com unhas, Dentes & Cuca" – Alex Atala – Editora Senac, 2008
 
       Alex nos recebeu gentilmente em sua residência em São Paulo, onde nas raras horas de descanso aproveita para relaxar dando uns pinxos em seu "tanque" repleto de lambaris e também ensinar os filhos esta deliciosa arte.

 
Vista do lago
Vista do lago
  Alex tentando uns lambaris
Alex tentando uns lambaris
 
Alex, Salgado e o filho Pedro
Alex, Salgado e o filho Pedro
  Alex e Adriano
Alex e Adriano
 
Treinando
Treinando
 

       O equipamento e a caixa de moscas já ficam ao lado da saída para o jardim para facilitar

 
Caixa de Moscas
Caixa de Moscas
  Lambari
Lambari
 
As varas de fly e equipamentos
As varas de fly e equipamentos
 

       Bem organizado, nos leva para conhecer seu cantinho da pesca onde tem não só os equipamentos e roupas para pesca como também o equipamento de mergulho outra paixão de Alex.

 
Vara Sage, carinhosamente chamada de A Matadeira
Vara Sage, carinhosamente chamada de A Matadeira
  Caixa de moscas para a pesca do Tucunaré e Trairão
Caixa de moscas para a pesca do Tucunaré e Trairão
 

       Uma paixão que desde cedo procura ensinar as crianças e despertar-lhes o prazeroso convívio com a pesca e a natureza.

  Alex e Tomás
Alex e Tomás
 
Joana
Joana
  Pedro, desde pequeno
Pedro, desde pequeno
 
África - Tiger Fish
África - Tiger Fish
 

       Nas suas viagens pelo mundo, Alex tem sempre consigo uma vara e moscas para poder relaxar entre os raros horários vagos de sua agenda.

 
África - close do Tiger Fish
África - close do Tiger Fish
  Pará
Pará
 
Pará
Pará
  Tucunaré
Tucunaré
 

       Barracuda Team:
Alex, em primeiro lugar gostaria de agradecê-lo em nome da equipe BARRACUDA TEAM, pela oportunidade e gentileza de ceder um pouco de seu tempo para nos atender. Qual seu nome completo, idade e de onde é natural?
 
       Alex Atala:
Meu nome é: Milad Alexandre Mack Atala, tenho 41 anos e nasci e me criei em São Paulo no bairro da Mooca.
 
       Barracuda Team:
Quando começou o interesse pela pesca ou começou a pescar?
 
       Alex Atala:
Desde muito pequeno, coisa de família, com meu pai e avô. Todos em casa sempre apreciaram a pesca e a caça.
 
       Barracuda Team:
Quando iniciou no fly? Houve alguma influencia?
 
       Alex Atala:
Morei por aproximadamente seis anos na Europa e via muitas pessoas pescando de fly, inclusive um amigo meu que era de lá.
Flertei com o fly durante esse período, mas não tinha nem tempo e dinheiro para adquirir o equipamento e passar a usar.
Pesquei algumas vezes por ser a única maneira de pescar. Pescávamos trutas.
 
       Barracuda Team:
Quando então começou a dedicar-se realmente ao fly?
 
       Alex Atala:
Passei a ter o fly como principal modalidade de pesca quando voltei ao Brasil por volta de 94\95, quando fiz meu primeiro curso.
Na verdade, fiz vários cursos, aproximadamente 5 ou 6, entre eles, inclusive, com o saudoso Mel Krieger na Argentina em Neuquem no rio CHIMIUIM. Hoje pesco 90% com fly.
 
       Barracuda Team:
Normalmente pesca sozinho ou acompanhado?
 
       Alex Atala:
Normalmente pesco sozinho, mas vez ou outra, pesco com um grande amigo de infância Gustavo Penteado.
 
       Barracuda Team:
Qual a periodicidade com que pesca (apesar da vida super atribulada)?
 
       Alex Atala:
Pesco de duas a três vezes por mês, mas "brinco" praticamente todo dia aqui em casa no laguinho, me divirto, curto os peixes, relaxo e aproveito para ensinar e incentivar meus filhos.
 
       Barracuda Team:
Qual o seu peixe predileto?
 
       Alex Atala:
Tucunaré no popper. Por incrível que pareça na modalidade bait casting, é incrível a subida e a batida. Os grandes simplesmente chegam por baixo e sugam a isca e também raramente os tiramos, mas vale a adrenalina.
No fly o lambari na serra ou mesmo em casa.
 
       Barracuda Team:
Qual lugar de pesca inesquecível, qual o peixe, qual pescaria?
 
       Alex Atala:
LUGAR > Sto. Antonio do Paraíso – MT
Uma represa, com muitos tucunarés azul, em seu estado mais selvagem possível, sem gente, sem infrestrutura. Aliás, dou sempre preferência por lugares assim.
PEIXE > Um grande tucunaré de aproximadamente 7kg que subiu em um popper. Cena inesquecível.
PESCARIA > Foram várias. Quando você junta tudo, peixe, lugar, companhia, enfim pescaria perfeita. Vou citar três delas:
Uma na Nova Zelândia. Pescaria de trutas, rio de água rápida, raso e no visual.
Um cardume de anchovas pescando com fly em Alcatrazes no parcel do sudoeste.
Um peixe parente do pacu, no rio Caciporé no Amapá. Esse peixe pesca-se com uma alga similar a usada para pescar o pacu borracha, só que o detalhe é que se você não colocar pelo menos um pouquinho da alga natural para dar o cheiro, não pega de forma alguma. São peixes de 4 a 5 kg de grande esportividade que levam facilmente a linha e boa parte do backing, e ainda tem-se a emoção de cada passo dado, pois o lugar é repleto de poraquês – Tem que se tomar um cuidado enorme, aliás, em qualquer lugar na região recomenda-se antes de entrar na água bater algo em volta para espantá-los.
A descarga elétrica dada por eles é violentíssima.
 
       Barracuda Team:
Qual a próxima pescaria?
 
       Alex Atala:
Bonefish, em Cuba.
 
       Barracuda Team:
Quando está viajando leva equipamento, procura conciliar o trabalho e a pesca?
 
       Alex Atala:
Sempre. Uma vara #7, 3 partes Sage, linhas e iscas. Pouco material, mas o suficiente.
 
       Barracuda Team:
Qual país em sua opinião tem a melhor estrutura e legislação para o pescador?
 
       Alex Atala:
Zâmbia – Rio Zambeze.
Incrivelmente treinados, os guias te obrigam a molhar a mão antes de pegar o peixe para a foto, uma grande conscientização, onde não é permitido matar nada.
Acabei de voltar de lá. Fui atrás do Tiger fish. Capturei apenas 3 espécimes em torno de 1,5kg.
Gostei muito desse peixe. Ele tem o comportamento igual ao do "nosso" dourado. Pesquei apenas por três dias.
 
       Barracuda Team:
Qual sua opinião sobre o desenvolvimento da pesca e do mercado da pesca esportiva no Brasil?
 
       Alex Atala:
O mercado da pesca já viveu momentos melhores, mas tenho o hábito de cultivar amizades e separo a pessoa do pescador e o pescador do negócio.
Assim sendo, conservo meus laços com amigos lojistas onde compro e freqüento suas lojas há mais de vinte anos. Não vou mudar por isso ou por aquilo, ou porque abriu uma nova loja, novidades etc..
 
       Barracuda Team:
Tem algum ídolo ou mesmo um pescador que admire?
 
       Alex Atala:
Tenho. Mel Krieger. Ele em ação era emocionante pela disciplina. Mel lia o rio antes de iniciar a pescaria. Parava, analisava, discutia. Via a água e perguntava às pessoas locais, guias, numa calma inigualável. Pescamos em Nervous Water, um complexo de lodges, inesquecível.
 
       Barracuda Team:
Freqüenta ou já freqüentou algum site ou fórum de pesca?
 
       Alex Atala:
Nunca participei por falta de tempo, mas já observei alguns e não participaria por conta dos ataques pessoais e agressões gratuitas.
Acho que todos erramos. Eu errei, fiz besteira várias vezes, você também deve ter feito, mas não é por isso que vou agredi-lo, atacá-lo, são coisas naturais erros e acertos.
 
       Barracuda Team:
Já preparou algum peixe no local de pesca? Qual a melhor receita?
 
       Alex Atala:
Claro, sempre. A melhor forma é a mais simples, um jirau, brasa e lenha de Murici. (Árvore da região do Araguaia, a fumaça da madeira da um bom perfume ao peixe.)
 
       Barracuda Team:
O preparar ou criar um novo prato tem alguma ligação com o pescar em si, a preparação do equipamento, a escolha da isca etc.?
 
       Alex Atala:
Totalmente similar, uma faca, uma erva, a preparação. Acertar o prato é como acertar uma boa pescaria, onde o menos é mais.
 
       Barracuda Team:
Você já sofreu um grave acidente em busca de uma receita a base de peixe. Qual o peixe e em que país você se encontrava? Ficou algum trauma ou seqüela em conseqüência do acidente?
 
       Alex Atala:
É verdade! Pensei que fosse perder o braço.
Estava em Singapura a trabalho. Tinha que preparar um jantar e ia usar o fígado deste peixe, o Monk Fish – aqui conhecido como Peixe Sapo ou Tamboriú. No Brasil não temos o hábito de consumir o fígado dos peixes, mas o sabor de algumas espécies verdadeiras iguarias.
O Monk Fish por vir de profundidade muito grande, traz consigo fungos e bactérias, e ao limpa-lo, estando com as unhas muito curtas, fui contaminado por uma anaeróbica.
Foi um quadro gravíssimo, pensaram até em amputação do antebraço. Sofri três cirurgias e fui tratado com um antibiótico muito forte usado para o tratamento de infecção hospitalar.
Ficava com oito cateteres no braço, um tratamento muito desagradável.
Mas fiquei bom, não fiquei com seqüelas, somente as cicatrizes.
 
       Barracuda Team:
Qual prato a base de peixe criado por você que considera mais saboroso? Pode dar a receita?
 
       Alex Atala:
Difícil falar. Normalmente as mais recentes são as mais vistas ou preferidas, mas tenho uma, não tão nova, que tenho muito carinho por ela.
Um molho de capim santo com ervilha torta.
Faz-se um curry negro e serve com pintado e pirarucu.
O curry negro é feito com chocolate em pó, pó de café e especiarias negras.
 
       Barracuda Team:
Para finalizar Alex, Já pescou com caiaque alguma vez?
 
       Alex Atala:
Ainda não, mas com certeza agora não faltará oportunidade e em breve marcaremos uma pescaria para e experimentar e quem sabe render alguns peixes para postarmos um relato no Barracuda Team.